Equação diferencial exata




Este artigo trata de equação diferencial ordinária exata no sentido denotativo, para possível sentido conotativo, que pode causar confusão, ver equações diferenciais estocásticas.


Uma Equação diferencial ordinária é dita exata[1] quando é possível colocá-la na seguinte forma:


M(x,y)dx+N(x,y)dy=0{displaystyle M(x,y)dx+N(x,y)dy=0} M(x,y)dx + N(x,y)dy = 0

e


M∂y=∂N∂x{displaystyle {frac {partial M}{partial y}}={frac {partial N}{partial x}}}{displaystyle {frac {partial M}{partial y}}={frac {partial N}{partial x}}}

com M{displaystyle M}M e N{displaystyle N}N funções diferenciáveis e integráveis.




Índice






  • 1 Teorema


  • 2 Método de Solução


  • 3 Exemplo


  • 4 Exemplo no plano


  • 5 Referências


  • 6 Ver também





Teorema |


O seguinte teorema fornece um método sistemático de determinar se uma equação diferencial dada é exata.[2]


Suponha que as funções M,N,My{displaystyle M,N,M_{y}}{displaystyle M,N,M_{y}} e Nx{displaystyle N_{x}}{displaystyle N_{x}}, onde os índices denotam derivadas parciais, são contínuas na região conexa R:  α<x<β,  λ<y<σ{displaystyle R: alpha <x<beta , lambda <y<sigma }{displaystyle R:  alpha <x<beta ,  lambda <y<sigma }.


Então, a equação


M(x,y)dx+N(x,y)dy=0{displaystyle M(x,y)dx+N(x,y)dy=0}{displaystyle M(x,y)dx+N(x,y)dy=0}

é uma equação diferencial exata em R{displaystyle R}R se, e só se,



M(x,y)∂y=∂N(x,y)∂x{displaystyle {frac {partial M(x,y)}{partial y}}={frac {partial N(x,y)}{partial x}}}{displaystyle {frac {partial M(x,y)}{partial y}}={frac {partial N(x,y)}{partial x}}} (1)

em cada ponto de R.


Isto é, existe uma função F(x,y){displaystyle F(x,y)}F(x,y) que satisfaz as equações,


F(x,y)∂x=M(x,y){displaystyle {frac {partial F(x,y)}{partial x}}=M(x,y)}{displaystyle {frac {partial F(x,y)}{partial x}}=M(x,y)}

F(x,y)∂y=N(x,y){displaystyle {frac {partial F(x,y)}{partial y}}=N(x,y)}{displaystyle {frac {partial F(x,y)}{partial y}}=N(x,y)}

se, e só se, M{displaystyle M}M e N{displaystyle N}N satisfazem (1), pois[2]


F(x,y)∂x∂y=∂F(x,y)∂y∂x{displaystyle {frac {partial F(x,y)}{partial xpartial y}}={frac {partial F(x,y)}{partial ypartial x}}}{displaystyle {frac {partial F(x,y)}{partial xpartial y}}={frac {partial F(x,y)}{partial ypartial x}}}



Método de Solução |


Uma equação diferencial ordinária do tipo


M(x,y)dx+N(x,y)dy=0{displaystyle M(x,y)dx+N(x,y)dy=0}{displaystyle M(x,y)dx+N(x,y)dy=0}


é equivalente a


M(x,y)+N(x,y)y′=0{displaystyle M(x,y)+N(x,y)y'=0}{displaystyle M(x,y)+N(x,y)y'=0}, pois y′=dydx{displaystyle y'={frac {dy}{dx}}}{displaystyle y'={frac {dy}{dx}}}


Se ela for uma equação exata, teremos que M∂y=N∂x{displaystyle {frac {M}{partial y}}={frac {N}{partial x}}}{displaystyle {frac {M}{partial y}}={frac {N}{partial x}}}.


Então podemos supor que há uma função F{displaystyle F}F de modo que F∂x=M(x,y){displaystyle {frac {partial {F}}{partial {x}}}=M(x,y)}{displaystyle {frac {partial {F}}{partial {x}}}=M(x,y)}.


Assim, para obter essa função basta integrar M(x,y){displaystyle M(x,y)}M(x,y)em relação a x{displaystyle x}x.


F=∫M(x,y)dx+g(y){displaystyle F=int {M(x,y)dx}+g(y)}{displaystyle F=int {M(x,y)dx}+g(y)}. Note-se que g(y){displaystyle g(y)}g(y) é a constante de integração, e como não depende de x{displaystyle x} x, ddx(g(y))=0{displaystyle {frac {d}{dx}}left(g(y)right)=0}{displaystyle {frac {d}{dx}}left(g(y)right)=0}.


Agora podemos derivar F{displaystyle F}F na direção de y{displaystyle y}y supondo que F∂y=N(x,y){displaystyle {frac {partial {F}}{partial {y}}}=N(x,y)}{displaystyle {frac {partial {F}}{partial {y}}}=N(x,y)}. Assim, obtemos:


F∂y=∂y∫M(x,y)dx+g′(y)=N(x,y){displaystyle {frac {partial {F}}{partial {y}}}={frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx+g'(y)}=N(x,y)}{displaystyle {frac {partial {F}}{partial {y}}}={frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx+g'(y)}=N(x,y)}.


Isolando g′(y){displaystyle g'(y)}{displaystyle g'(y)} temos:


g′(y)=N(x,y)−y∫M(x,y)dx{displaystyle g'(y)=N(x,y)-{frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx}}{displaystyle g'(y)=N(x,y)-{frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx}}


Então, por fim, integramos g′(y){displaystyle g'(y)}{displaystyle g'(y)} na direção de y{displaystyle y}y, de modo a obter:


g(y)=∫(N(x,y)−y∫M(x,y)dx)dy{displaystyle g(y)=int left({N(x,y)-{frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx}}right)dy}{displaystyle g(y)=int left({N(x,y)-{frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx}}right)dy}


Ou seja


F=∫M(x,y)dx+g(y)=∫M(x,y)dx+∫(N(x,y)−y∫M(x,y)dx)dy{displaystyle F=int {M(x,y)dx}+g(y)=int {M(x,y)dx}+int left({N(x,y)-{frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx}}right)dy}{displaystyle F=int {M(x,y)dx}+g(y)=int {M(x,y)dx}+int left({N(x,y)-{frac {partial }{partial {y}}}int {M(x,y)dx}}right)dy}


E, finalmente, a solução da equação diferencial é a função implícita F(x,y)=c{displaystyle F(x,y)=c}{displaystyle F(x,y)=c}[1]



Exemplo |


Resolvamos a equação Diferencial Ordinária    y′=dydx=−(2x+y2)(2x+1)y{displaystyle y'={frac {dy}{dx}}={frac {-(2x+y^{2})}{(2x+1)y}}}{displaystyle y'={frac {dy}{dx}}={frac {-(2x+y^{2})}{(2x+1)y}}}.


Temos:



(2x+y2)dx+(2xy+y)dy=0{displaystyle (2x+y^{2})dx+(2xy+y)dy=0}{displaystyle (2x+y^{2})dx+(2xy+y)dy=0},

onde



M=(2x+y2){displaystyle M=(2x+y^{2})}{displaystyle M=(2x+y^{2})} e N=(2xy+y){displaystyle N=(2xy+y)}{displaystyle N=(2xy+y)}.

Logo, M∂y=2y=∂N∂x{displaystyle {frac {partial M}{partial y}}=2y={frac {partial N}{partial x}}}{displaystyle {frac {partial M}{partial y}}=2y={frac {partial N}{partial x}}}, donde se conclui que é exata.


Pelo corolário acima, ∃F(x,y), então:



F∂x=M=2x+y2{displaystyle {frac {partial F}{partial x}}=M=2x+y^{2}}{displaystyle {frac {partial F}{partial x}}=M=2x+y^{2}}.

Integrando em relação a x:



F(x,y)=x2+xy2+f(y){displaystyle F(x,y)=x^{2}+xy^{2}+f(y)}{displaystyle F(x,y)=x^{2}+xy^{2}+f(y)}, em que f(y) é uma função de y.

Além disso, F∂y=N=2xy+f′(y)=2xy+y{displaystyle {frac {partial F}{partial y}}=N=2xy+f'(y)=2xy+y}{displaystyle {frac {partial F}{partial y}}=N=2xy+f'(y)=2xy+y}. Então f′(y)=y{displaystyle f'(y)=y}{displaystyle f'(y)=y}.


Integrando em relação a y, temos: f(y)=y22+c{displaystyle f(y)={frac {y^{2}}{2}}+c}{displaystyle f(y)={frac {y^{2}}{2}}+c}, c constante.


Logo, pelo corolário, a função F é:


F(x,y)=x2+xy2+y22+c{displaystyle F(x,y)=x^{2}+xy^{2}+{frac {y^{2}}{2}}+c}{displaystyle F(x,y)=x^{2}+xy^{2}+{frac {y^{2}}{2}}+c}

A solução da equação diferencial exata é F(x,y)=0{displaystyle F(x,y)=0}{displaystyle F(x,y)=0} ou seja


x2+xy2+y22+c=0{displaystyle x^{2}+xy^{2}+{frac {y^{2}}{2}}+c=0}{displaystyle x^{2}+xy^{2}+{frac {y^{2}}{2}}+c=0}


Exemplo no plano |


Considere uma função diferenciável



z=F(x,y);(x,y)∈ΩR2{displaystyle z=F(x,y);(x,y)in Omega subset {mathbf {R} }^{2}}{displaystyle z=F(x,y);(x,y)in Omega subset {mathbf {R} }^{2}} da qual pode-se deduzir a expressão diferencial exata

dz=∂F∂xdx+∂F∂ydy{displaystyle dz={frac {partial F}{partial x}}dx+{frac {partial F}{partial y}}dy}{displaystyle dz={frac {partial F}{partial x}}dx+{frac {partial F}{partial y}}dy}

A expressão que deu origem à equação, z=F(x,y){displaystyle z=F(x,y)}{displaystyle z=F(x,y)}, representa uma superfície de um tipo especial, pois é o gráfico de uma função diferenciável.


Esta superfície, quando cortada pelo plano (de altura) constante z=C{displaystyle z=C}{displaystyle z=C} equivale a resolver o sistema de equações:


z=Cz=F(x,y){displaystyle {begin{array}{ll}z=C\z=F(x,y)\end{array}}}{displaystyle {begin{array}{ll}z=C\z=F(x,y)\end{array}}}

Geometricamente falando, o resultado desta interseção é uma curva no espaço, obtida pela interserção de duas superfícies. Como o plano é paralelo ao plano XOY{displaystyle XOY}{displaystyle XOY} então há uma projeção desta curva espacial sobre o domínio Ω{displaystyle Omega }{displaystyle Omega } de z=F(x,y){displaystyle z=F(x,y)}{displaystyle z=F(x,y)} que chamamos curva de nível. Observe que se pode representar a interseção escrevendo


F(x,y)=C{displaystyle F(x,y)=C}{displaystyle F(x,y)=C}

Diferenciando esta última equação, obtemos:


F∂xdx+∂F∂ydy=0{displaystyle {frac {partial F}{partial x}}dx+{frac {partial F}{partial y}}dy=0}{displaystyle {frac {partial F}{partial x}}dx+{frac {partial F}{partial y}}dy=0}

Esta última expressão é a que em geral temos, a equação diferencial exata. Quer dizer, resolver uma equação diferencial exata consiste em recuperar, se for possível, a função cuja diferencial se encontra expressa na equação.


Mas não é nesta forma canônica, das equações diferenciais exatas, uma das razões disso é que ela podem representar formas não exatas. A forma canônica é


P(x,y)dx+Q(x,y)dy=0{displaystyle P(x,y)dx+Q(x,y)dy=0}{displaystyle P(x,y)dx+Q(x,y)dy=0}

Esta equação é dita exata se existe uma função w=F(x,y){displaystyle w=F(x,y)}{displaystyle w=F(x,y)} tal que


P(x,y)=∂F∂xQ(x,y)=∂F∂y{displaystyle {begin{array}{l}P(x,y)={frac {partial F}{partial x}}\Q(x,y)={frac {partial F}{partial y}}\end{array}}}{displaystyle {begin{array}{l}P(x,y)={frac {partial F}{partial x}}\Q(x,y)={frac {partial F}{partial y}}\end{array}}}



Resolver, então, a equação diferencial exata consiste em descobrir F{displaystyle F}{displaystyle F} a partir de suas derivadas parciais.



Referências




  1. ab E. BOYCE, William; DIPRIMA, Richard C. (2006). Equações Diferenciais Elementares e Problemas de Valores de Contorno oitava ed. Rio de Janeiro: LTC. p. 51. ISBN 978-85-216-1499-9  A referência emprega parâmetros obsoletos |coautor= (ajuda)


  2. ab E. BOYCE, William; DIPRIMA, Richard C. (2006). Equações Diferenciais Elementares e Problemas de Valores de Contorno oitava ed. Rio de Janeiro: LTC. ISBN 978-85-216-1499-9  A referência emprega parâmetros obsoletos |coautor= (ajuda)


  • Theresa M. Korn; Korn, Granino Arthur. Mathematical Handbook for Scientists and Engineers:Definitions, Theorems, and Formulas for Reference and Review. New York: Dover Publications, 157-160. ISBN 0-486-41147-8


Ver também |



  • Método do fator integrante

  • Equações separáveis

  • Método da variação de parâmetros

  • Redução de ordem

  • Coeficientes a determinar


  • Métodos numéricos/Equações diferenciais ordinárias (wikilivro)



































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